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Vídeo · 11 de out. de 2026

Project NOMAD: o computador do fim do mundo, passo a passo

O repositório do vídeo, sem enrolação: o que o NOMAD traz, quanto de máquina ele pede, a instalação no Ubuntu e no Windows (WSL2) e o cuidado que ele não tem de fábrica: login.

Você veio do vídeo do Project NOMAD e aqui está tudo: o que o projeto instala de verdade, quanta máquina ele pede, a instalação passo a passo no Ubuntu e no Windows, um teste em modo avião e o cuidado de segurança que o projeto avisa que você mesmo tem que tomar. Se você nunca rodou nada pelo terminal, passe antes no meu guia GitHub do zero e volte pra cá.

Resumo pra quem tem pressa

O que éUm servidor que guarda Wikipédia, livros, cursos, mapas e uma IA opcional dentro do seu computador, pra usar sem internet
Quem fazA Crosstalk Solutions, projeto de código aberto
PreçoGrátis, licença Apache 2.0
Onde rodaLinux baseado em Debian (Ubuntu 26.04 recomendado). No Windows, pelo WSL2, com suporte da comunidade
Máquinax86-64. Raspberry Pi e Mac não são suportados
Mínimo2 GHz com 2 núcleos, 4 GB de RAM e 5 GB livres, só pro painel. O conteúdo e a IA pedem muito mais
Ideal com IA32 GB de RAM, placa de vídeo tipo RTX 3060 e 250 GB livres em SSD
InstalarUm script de terminal, uns minutos. Com os downloads, cerca de uma hora
AcessoNo navegador, em http://localhost:8080
Linkgithub.com/Crosstalk-Solutions/project-nomad

O que é o Project NOMAD

Pensa na caixa de emergência que você guarda no armário. Lanterna, pilha, um rádio. O NOMAD é essa caixa, só que de informação: o que você precisaria saber se a internet sumisse por dias.

Na prática ele é um painel de controle (o "Command Center") que roda no seu computador e organiza várias ferramentas conhecidas, cada uma numa caixinha isolada. Você escolhe o que quer, ele baixa e configura. Depois de baixado, tudo abre no navegador, de qualquer aparelho da sua rede.

O projeto chegou ao 1º lugar do GitHub Trending em 21/03/2026. Quando este texto foi escrito (11/10/2026), o repositório tinha 38,5 mil estrelas, 3,8 mil forks e mais de 750 commits.

O que vem dentro

RecursoQuem faz o trabalhoO que você ganha
BibliotecaKiwixWikipédia offline, referências médicas, guias de sobrevivência e e-books
Assistente de IAOllama + QdrantChat local, com envio de documentos e busca pelo significado
CursosKolibriAulas da Khan Academy, com o seu progresso salvo e vários usuários
MapasProtoMapsMapas por região, pra ver e pesquisar sem internet
Ferramentas de dadosCyberChefCriptografia, codificação, hash e análise
NotasFlatNotesBloco de notas com markdown
BenchmarkEmbutidoUma nota pro seu hardware e um ranking da comunidade
Supply DepotEmbutidoUma lojinha de apps com um clique, e a opção de rodar seus próprios containers

Ele também traz um assistente de primeira configuração, atualização automática (opcional) e um gerenciador do conteúdo offline. A IA é totalmente opcional: dá pra instalar só a biblioteca, os mapas e os cursos.

Dica: o chat de IA também aceita outros servidores compatíveis com a API da OpenAI, como o LM Studio ou o llama.cpp. Se você já tem um desses rodando em outra máquina, dá pra apontar o NOMAD pra ele nas configurações do assistente.

O que ninguém te conta

A interface é só em inglês. Pelo FAQ oficial (março de 2026), o painel está apenas em inglês e a maior parte do conteúdo também. Tradução está no plano, mas não existe ainda. Eu não consegui confirmar se há Wikipédia em português entre as opções de conteúdo, então confira isso no Easy Setup antes de baixar.

A IA é um modelo local, não o ChatGPT. Ela roda no seu hardware, então pega modelos pequenos e médios. Num mini PC com vídeo integrado, o próprio projeto mede cerca de 12 a 17 tokens por segundo num modelo de 8 bilhões de parâmetros. Funciona pra resumir, tirar dúvida e consultar seus documentos. Não espere o nível de um serviço na nuvem.

Os modelos vêm do catálogo do Ollama. Um modelo do Hugging Face, por exemplo, não entra. Se o modelo que você quer está em ollama.com mas não aparece na lista do NOMAD, o FAQ mostra um comando pra baixar:

curl -X POST -H "Content-Type: application/json" \
  -d '{"model":"NOME_DO_MODELO"}' \
  http://localhost:8080/api/ollama/models

Não tem login. Isso é decisão de projeto, e a gente volta nesse ponto logo abaixo, porque importa.

A Wikipédia completa é pesada. A página de instalação fala em até 125 GB na versão com imagens. A versão rápida é bem menor. No teste do próprio autor, uma instalação com Wikipédia rápida, as coleções essenciais, uma região de mapa e dois modelos de IA ficou abaixo de 30 GB. Com um HD de 1 TB, ele cabe a Wikipédia inteira com imagens, toda a Khan Academy e bastante coisa a mais.

"Offline" depende do que você baixou antes. A internet só é necessária na instalação e quando você decide baixar mais conteúdo. O que você não baixou antes não estará lá quando a conexão cair.

Zero telemetria, mas ele faz um teste de conexão. O README diz que não há telemetria. Pra saber se você está online, o NOMAD consulta primeiro o endereço de diagnóstico da Cloudflare (1.1.1.1) e, se ele estiver bloqueado, cai em endereços que o próprio app já usa (a API do GitHub e a do projeto). Dá pra trocar esse endereço em Settings, Advanced.

Qual máquina eu preciso

O NOMAD é leve, e o peso vem do que você instala por cima. O projeto diz que não é patrocinado por fabricante e não vende máquina pronta. O guia dele lista três faixas, com preços em dólar de quando a página foi lida (outubro de 2026). Os aparelhos testados na página têm link de afiliado.

FaixaPreço aproximadoO que a máquina éO que você consegue
EconômicaUS$ 150 a 300Mini PC usado, i5/i7 de 8ª geração ou Ryzen 5, 16 a 32 GB de RAM, SSD de 500 GB, sem placa de vídeoBiblioteca, mapas e cursos em velocidade normal. IA só com modelos pequenos (1 a 3 bilhões de parâmetros), 5 a 20 tokens por segundo
RecomendadaUS$ 500 a 800Mini PC com Ryzen 7 ou 9, 32 GB de DDR5, SSD NVMe de 1 TB, vídeo integrado RadeonA experiência completa. Modelos de 3 a 8 bilhões de parâmetros com resposta decente
PotenteA partir de US$ 1.000Desktop com 32 a 64 GB de RAM e uma NVIDIA RTX 3060 de 12 GB ou melhorIA acelerada por GPU. Na 3060, cerca de 65 tokens por segundo num modelo de 8 bilhões

Se você já tem um PC parado, não compre nada ainda. Instale e rode o benchmark que vem embutido: ele dá uma nota (um índice em que o hardware de referência do projeto vale 1.000, sem teto) e você compara no ranking da comunidade.

Detalhes que valem saber:

  • Placa de vídeo NVIDIA é detectada sozinha. Você só precisa do NVIDIA Container Toolkit instalado no sistema.
  • Consumo: um mini PC puxa de 15 a 65 W conforme a carga. Dá pra alimentar com placa solar e bateria, e o guia sugere um nobreak pra evitar desligamento brusco.
  • Pra outros aparelhos acessarem, o NOMAD precisa de um roteador ou ponto de acesso na mesma rede. Ele não cria Wi-Fi sozinho.

Como instalar no Ubuntu, passo a passo

O caminho recomendado pelo projeto é uma máquina Linux dedicada. O guia oficial assume que você vai apagar o disco desse PC, então use um computador que você pode formatar.

1. Instale o Ubuntu

Baixe o Ubuntu Desktop 26.04 LTS em ubuntu.com (cerca de 6 GB). É a versão que o projeto testa. A 24.04 LTS e o Debian 12 também são suportados. Grave num pendrive com o Rufus (Windows) ou o Balena Etcher, entre na BIOS (geralmente Delete ou F2) e coloque o pendrive como primeira opção de boot.

Na instalação, marque a opção de instalar drivers de terceiros pra gráficos e Wi-Fi. Isso evita problema com placa NVIDIA.

2. Atualize o sistema

sudo apt update && sudo apt upgrade -y

3. Instale o NOMAD

O comando oficial baixa o script e roda com permissão de administrador:

sudo apt-get update && \
sudo apt-get install -y curl && \
curl -fsSL https://raw.githubusercontent.com/Crosstalk-Solutions/project-nomad/refs/heads/main/install/install_nomad.sh \
  -o install_nomad.sh && \
sudo bash install_nomad.sh

Dica: o comando salva o script em install_nomad.sh antes de rodar. Aproveite: abra o arquivo (less install_nomad.sh) e leia o que ele faz antes de executar com sudo. É um bom hábito com qualquer script de instalação.

O instalador cuida do Docker, do banco de dados e da interface. Ele mostra o endereço de acesso no fim: http://localhost:8080 na própria máquina, ou http://IP-DA-MAQUINA:8080 de outro aparelho da rede.

4. Faça a configuração inicial

Abra o endereço no navegador e comece pelo Easy Setup:

  1. Escolha os aplicativos: biblioteca, plataforma de ensino e, se quiser, o assistente de IA.
  2. Escolha as regiões de mapa. Dá pra baixar o planeta inteiro, um país ou só a sua região (alguns GB cada).
  3. Escolha o conteúdo: os modelos de IA, a profundidade da Wikipédia e as coleções de medicina, sobrevivência, educação e mais. Cada categoria tem três níveis: Essencial, Padrão e Abrangente.
  4. Acompanhe a barra verde de armazenamento no topo enquanto escolhe, depois clique em Complete Setup.

Os downloads levam tempo, dependendo do que você marcou e da sua internet.

Como instalar no Windows (WSL2)

Funciona sem formatar nada, mas o próprio projeto classifica como suporte da comunidade, não oficial. Você precisa do Windows 10 (build 19041 ou mais novo) ou do Windows 11, de pelo menos 16 GB de RAM (32 GB ou mais se quiser a IA) e de uns 100 GB livres.

Sobre a placa de vídeo no WSL2: NVIDIA RTX e GTX aceleram a IA. Placas AMD Radeon, Intel Arc e vídeo integrado AMD rodam só no processador. Num teste do projeto com a mesma placa NVIDIA, a IA ficou cerca de 18% mais lenta no WSL2 do que em Ubuntu instalado direto na máquina. Pra biblioteca, mapas e cursos, a diferença não aparece.

O guia oficial tem dois caminhos. Este é o do Docker direto no WSL (o Caminho A), o mais limpo se você não usa o Docker Desktop:

1. Instale o Ubuntu no WSL. No PowerShell como administrador:

wsl --install -d Ubuntu-24.04

Reinicie quando pedir, abra o Ubuntu no menu Iniciar e crie usuário e senha.

2. Ligue o systemd. Dentro do Ubuntu:

sudo tee /etc/wsl.conf > /dev/null <<'EOF'
[boot]
systemd=true
command="mount --make-rshared /"
EOF

Depois, no PowerShell, desligue o WSL (fechar o terminal não basta):

wsl --shutdown

3. Cuidado com o Docker Desktop e o Docker do snap. Se você tem o Docker Desktop, desmarque a integração com o seu Ubuntu em Settings, Resources, WSL integration e rode wsl --shutdown de novo. Se instalou o Docker pelo snap, remova com sudo snap remove --purge docker, porque ele não enxerga a pasta onde o NOMAD se instala.

4. Instale o Docker e rode o instalador do NOMAD:

curl -fsSL https://get.docker.com | sudo sh
sudo systemctl enable --now docker
sudo usermod -aG docker $USER

Feche e abra o Ubuntu, e rode o mesmo comando de instalação do NOMAD da seção anterior. Leva uns 5 minutos pra baixar as imagens.

5. Abra no navegador do Windows: http://localhost:8080. O WSL2 encaminha o localhost sozinho.

Se você já usa o Docker Desktop e prefere ficar com ele, o guia tem o Caminho B, que muda só um detalhe do script. O endereço está nos Materiais.

Dica: se você tinha o Ollama instalado no Windows ou no WSL, a porta 11434 já está ocupada e o container de IA do NOMAD não sobe. Feche o Ollama (ou desative o serviço no WSL) antes. O NOMAD traz o dele. Meu guia do Ollama explica o que ele é.

Pra abrir o NOMAD de outro aparelho da rede, o Windows precisa de um redirecionamento de porta (netsh portproxy). O comando completo está no guia oficial, na seção "Access NOMAD from other LAN machines".

Primeiro teste: o modo avião

Este teste prova a ideia do vídeo e cabe numa tarde.

  1. No Easy Setup, escolha o mínimo: Wikipédia na versão rápida, uma região de mapa e um modelo de IA pequeno. O projeto mediu menos de 30 GB nessa combinação.
  2. Espere os downloads terminarem.
  3. Desligue o Wi-Fi ou tire o cabo de rede.
  4. Abra http://localhost:8080 e faça quatro coisas: pesquise um artigo na biblioteca, abra o mapa da sua região, converse com a IA e envie um PDF pra ela consultar.

Se as quatro funcionarem sem internet, o seu "computador do fim do mundo" está de pé.

Comandos pra depois da instalação

Os scripts ficam em /opt/project-nomad. Use quando o painel não resolver:

O que fazComando
Iniciar todos os containerssudo bash /opt/project-nomad/start_nomad.sh
Parar todossudo bash /opt/project-nomad/stop_nomad.sh
Atualizar o painel e as dependências (não atualiza os apps instalados, isso é pelo painel)sudo bash /opt/project-nomad/update_nomad.sh
Desinstalar tudo (não tem volta)Script uninstall_nomad.sh, no README oficial

Os containers do NOMAD começam com nomad_ no nome, então dá pra separar dos seus outros containers com docker ps. As portas do painel, do banco e do Redis podem ser mudadas no docker-compose.yml. Os apps instalados (Kiwix, Kolibri e outros) ainda não aceitam troca de porta, segundo o FAQ de março de 2026.

Antes de abrir pra rede: segurança

O NOMAD foi feito pra uso local e não tem autenticação. Qualquer pessoa que alcançar o endereço consegue abrir o painel, mexer nas configurações e usar a IA.

Em casa, com a máquina só na sua rede, o risco é pequeno. Mas:

  • Não exponha na internet. O próprio README diz pra não fazer isso, a menos que você saiba exatamente o que está fazendo.
  • Pra acesso de fora de casa, use uma VPN, como Tailscale ou WireGuard, em vez de abrir porta no roteador. É o que o guia da comunidade sugere pra quem precisa de acesso externo.
  • Pra proteger o painel na rede local, existe um guia da comunidade com Caddy e senha. Ele tranca as configurações e as APIs de administração, mas não protege a biblioteca, os cursos, o CyberChef nem as notas, que rodam em portas próprias e continuam abertos. O guia mesmo chama isso de "quebra-galho de rede", não de recurso de segurança.

Quando não usar

  • Raspberry Pi ou outro ARM: não é suportado. O projeto aponta o Internet in a Box como alternativa leve pra quem só quer conteúdo básico offline.
  • Mac: sem suporte oficial, principalmente por causa da placa de vídeo no Docker.
  • Máquina virtual (Proxmox, Hyper-V, VMware): não é oficialmente suportada.
  • Quando você só quer a Wikipédia offline: o NOMAD instala um painel inteiro, com banco de dados e vários containers. Se a sua necessidade é só essa, o Kiwix sozinho resolve com muito menos.
  • Quando você precisa de uma IA no nível de um serviço pago: o assistente do NOMAD é de modelo local.
  • Quando a interface em inglês é um bloqueio: vale esperar a tradução.

Se der erro

Comece pelos lugares oficiais, nesta ordem:

  1. O FAQ, que já responde porta, armazenamento, ARM e modelos de IA.
  2. As Discussions do repositório, no GitHub, pra o seu caso específico (principalmente WSL2, que não aceita relato de bug do instalador).
  3. As Issues, pra erro do próprio projeto.

Quando for pedir ajuda, leve a versão do sistema, a saída completa do erro e o que você tinha instalado antes.

Pra ir mais fundo

Documentação oficial

  • README do projeto: a visão completa, com os scripts de manutenção e as opções avançadas de instalação.
  • Guia de instalação: o passo a passo do Ubuntu, com o assistente de configuração.
  • Guia do WSL2: os dois caminhos no Windows e os cinco tropeços mais comuns.
  • Guia de hardware: as três faixas de preço e os aparelhos testados.
  • FAQ: perguntas frequentes, com datas.

No Cofre

  • Ollama: o motor de IA local que o NOMAD usa por dentro.
  • Open WebUI: uma interface de chat parecida com o ChatGPT pra modelos locais.
  • GitHub do zero: como usar os projetos que eu mostro, mesmo sem saber programar.

Glossário rápido

TermoEm português claro
ServidorUm computador que fica ligado oferecendo um serviço pra outros aparelhos
ContainerUma caixinha isolada onde um programa roda, sem bagunçar o resto do sistema
DockerO programa que cria e gerencia esses containers
Command CenterO painel de controle do NOMAD, que você abre no navegador
WSL2O recurso do Windows que roda um Linux dentro dele
LLMO modelo de linguagem por trás de um chat de IA
ParâmetrosO tamanho do modelo. Mais parâmetros costumam dar respostas melhores e pedir mais memória
Tokens por segundoA velocidade de resposta da IA
RAGDeixar a IA consultar os seus documentos antes de responder
TelemetriaDados de uso que um programa envia pra quem o criou
VPNUm túnel privado pra acessar sua rede de casa de fora com segurança

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